Em 2014, ano da eleição de Dilma Russeff, o Brasil possuía 107 milhões de pessoas com acesso à Internet. Em 2018, ano de eleição do atual presidente Jair Bolsonaro, éramos 136 milhões de usuários. Já em 2020, um estudo realizado pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil mostrou que, em meio à pandemia, o Brasil atingiu o marco de aproximadamente 152 milhões de pessoas com acesso à Internet.

As redes sociais acompanharam esse crescimento, e redes como Facebook, YouTube, WhatsApp, Instagram e Twitter, que hoje estão entre as maiores redes acessadas em nosso país, foram e ainda são fundamentais na revolução social da era digital. Com poucos cliques compartilhamos momentos de diversão entre amigos, frustrações futebolísticas, procuramos um novo emprego e fazemos nossas manifestações políticas.

Até então, acreditávamos que as redes sociais seriam canais de disseminação da liberdade de expressão e da manifestação da democracia, discutindo assuntos importantes entre pares e acompanhando de perto tudo o que o político eleito pelo seu voto faz, além de trazer para mais perto da sociedade instituições até então afastadas dos holofotes da sociedade, como o Judiciário.

Pois foi aí que nos enganamos. As chamadas Big Techs, empresas de tecnologia que dominam o mercado e são detentoras das redes mencionadas acima, após reuniões, pedidos e apoio de instituições que até então chamavam para si a responsabilidade de cuidar da democracia, implementaram uma política de censura inimaginável até então. E isso é um sinal de alerta para o ano de 2022.

Vimos, nos últimos 2 anos, diante dos nossos olhos, agências de “fact checking” surgirem para checar notícias veiculadas por jornais do grupo a que pertencem. Vimos um presidente sendo censurado de redes sociais por “retórica violenta”. Vimos questionamentos feitos para autoridades públicas, como a Organização Mundial de Saúde serem censuradas com o rótulo de “conteúdo falso ou enganoso”, até mesmo quando estas partiam de médicos e especialistas.

E não foi só isso, vimos canais de ensino e jornalísticos famosos no YouTube serem derrubados da noite para o dia sem qualquer explicação, apenas por postarem conteúdo que são dissonantes da visão política daqueles que, talvez, mandem nas Big Techs. Com poucos exemplos, fica claro que há real intenção de que a tecnologia, sendo esta persuasiva, está sendo usada para que o comportamento das pessoas em ambientes digitais seja alterado.

Estamos diante de um cenário possivelmente catastrófico, onde a simples expressão daquilo que alguns poucos discordam é motivo para a censura e para o linchamento virtual. É evidente a mobilização para restringir a liberdade de expressão. É preocupante a corrida para dificultar o acesso à informação que não passe pelo crivo da “grande mídia”. É assustador termos o ambiente político e os parâmetros de pensamento manipulados por um algoritmo tendencioso.

A democracia está sob ataque.

E o ataque vem daqueles que dizem protegê-la.

E em ano de eleição.