Em breve síntese, o Relatório das Forças Armadas sobre a fiscalização do sistema eletrônico de votação ou Relatório sobre as urnas eletrônicas, apontaram várias irregularidades e inconsistências, entre elas:

1 – Identificação de um possível risco à segurança na geração dos programas das urnas eletrônicas, o que significa dizer risco de alteração de parametrizações do sistema;

2 – Possível risco de ocorrência de acesso dos computadores à rede do TSE durante a compilação do código-fonte, o que significa dizer, em tese, que no repasse das informações das urnas para os computadores do TSE há um risco evidente de alguém acessar estes dados e alterá-los antes do envio para os computadores centrais do TSE, o que notoriamente pode afetar o resultado da totalização dos votos;

3 – Os testes de funcionalidade que foram realizados nas urnas e da forma em que foram realizados, NÃO são suficientes para afastar o risco de influência de um eventual código malicioso capaz de alterar o funcionamento do sistema de votação;

4 – Os técnicos do Exército, Marinha e da Aeronáutica tiveram restrições ao código-fonte e às bibliotecas de software que foram desenvolvidas por terceiros, o que inviabiliza o completo entendimento da execução desse código. Veja, o código-fonte é o coração do programa ou sistema, e é ele que determina o cumprimento das parametrizações que foram implantadas. Logo, se você NÃO tem acesso a este código-fonte, por exemplo, NÃO dá para saber como será o funcionamento do programa ou sistema na identificação dos votos, ou seja, se 10 está sendo entendido como 10 ou como 30. Entenderam?

É importante ressaltar que esse relatório das Forças Armadas, não se aprofundou na questão das urnas eletrônicas auditáveis que são as fabricadas a partir do ano de 2020 e as não auditáveis que são as fabricadas antes do ano de 2020, e que foram largamente utilizadas por todo o Brasil.

Mas, seja como for, independentemente do ano de fabricação das urnas, em linhas gerais as Forças Armadas expressaram que: “Foi observado que a ocorrência de acesso à rede, durante a compilação do código-fonte e consequente geração dos programas (códigos binários), pode configurar relevante risco à segurança do processo”, comunicou o relatório.

Logo, o que as Forças Armadas estão dizendo é que NÃO podem assegurar que os programas que foram executados nas urnas eletrônicas estão livres de inserções maliciosas que possam alterar o seu funcionamento.

Por fim, a nota divulgada pelas Forças Armadas no dia seguinte a divulgação do relatório, ou seja, no dia 10/11/2022, diz claramente que: “relatório das Forças Armadas não exclui a possibilidade de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas”.

Nada mais para dizer.